Seria tão difícil assim entender que a
maior culpada de todas estas faltas de escrúpulos e libertinagens que ocorrem
no nosso país, tais como liberação de presos que deveriam estar encarcerados e
não em liberdade, de roubos, furtos, assassinatos, fraudes de todas as espécies
e outros crimes, é da nossa lei maior, que foi chamada de “cidadã”? Seria bem
melhor que, em vez de se fazer uma constituição com olhares no passado, fosse
vista como uma oportunidade de visarmos o futuro. Mas não, como em todo o país
de baixa cultura, foi dado preferência, a tudo aquilo que visasse punir àqueles
que, no passado cometeram alguma arbitrariedade justa ou não. Deu no que deu.
Uma legislação que prima pela libertinagem e pela complacência e com o
pressuposto de que todos são inocentes. Se justo ou não, não é o que me
proponho a discutir no momento, mas que está a causar o que estamos vendo, isto
é fato e deve ser levado em consideração.
Deixando de lado a hipocrisia e os arroubos de preferências
partidárias, vamos tentar fazer um apanhado do que foi a política no nosso
país, referente ao que, atualmente se diz proteger, o trabalhador. O governo do
PT propunha quase que o mesmo que o que está sendo proposto pelo atual governo,
salvo algumas particularidades. Ocorre que este, tinha como certo, que
permaneceria no poder por, no mínimo, 40 anos. Se lograsse êxito, comandaria a
economia, não só do nosso país, como de todo o resto da América Latina. Para
que ocorresse um total sucesso, seria conveniente que se demonstrasse que o
país estava bem e que as instituições funcionavam na plenitude de suas
conveniências, ou seja: uma economia pujante. Não seria isto possível com uma
legislação que tinha como regra, ditames baseados em conceitos fascistas como os
direitos trabalhistas ditados pela CLT. Tendo a consciência deste fato, o PT
tratou de reformar estas regras para poder permanecer no poder. Propôs isto e
foi impedido por uma oposição que, até então, não representava o ideário
popular. Se tivesse conseguido, e tivesse permanecido no poder, o governo teria
um cenário ideal para governabilidade em perfeita harmonia com a sociedade. Mas
algo deu errado e eles perderam o poder. Daí a oposição virou governo e
vice-versa. Tudo o que defendiam uns, tiveram que contestar e o que contestavam
uns, passaram a defender. O PT, no governo, somente não aprovou as reformas
propostas para sua manutenção no poder, por óbices da oposição, atual situação.
Onde está a incorreção? Na atual oposição ou no atual governo? A meu ver,
nenhum dos dois tem razão quanto a forma de que usam para tomar,
definitivamente o poder. Nosso país esta tomado por uma guerra insana entre a
esquerda extrema e a extrema esquerda. Ambos estão derrotados no contexto
mundial e os que poderiam ocupar este espaço, ficam com medo de apresentar suas
ideias por temores de serem classificados como “politicamente incorretos”. Esta
praga que trava o desenvolvimento do mundo e, tardiamente ainda, o nosso país. Não
foi o PT o culpado de não se impor no nosso país uma política mais racional, e
sim a oposição daquela época. Se continuarem nesta disputa de belezas, somente
quem vai sair perdendo á o povo que é justamente quem deveria ser atendido por
esta corja, que diz representá-lo. Não tem santo nesta arena. Os leões estão
famintos e os que os alimentarão são exatamente aqueles que estão aplaudindo
estas imbecilidades dicotômicas.
A decisão do STF de revogar a prisão
preventiva de José Dirceu não tem nada de anormal, são juízes que estão
julgando um caso, baseado em informações das quais não dispomos. Se não houve
unanimidade, é sinal de que o caso não é tão simples assim. É mais anormal no
Brasil, ficar uma figura do quilate do ex-ministro tanto tempo preso
preventivamente, do que a sua soltura. Ele livre, não o livra de responder aos
crimes que supostamente tenha cometido e quando julgado terá sim a pena que
merece. Comemorar a sua soltura preventiva sim, é de uma insanidade abissal. Por
outro lado, é patético ver a fúria daqueles que tem sangue nos olhos e querem
que a justiça seja feita de acordo com as suas convicções.