quarta-feira, 14 de março de 2018

(in) JUSTIÇA.


O presidente Temer se sentiu injustiçado por ter seu nome incluído como envolvido em corrupção. Pode até ter razão pois a nossa lei maior diz que o presidente não pode ser responsabilizado por atos que não do seu mandato. Pois que se espere o fim do seu mandato e o processem. Estes privilégios são coisas da nossa Constituição cidadã. Pois não é que o nosso governante, para tentar corrigir a injustiça, foi procurar a presidente do Supremo, fora da agenda, para terem uma conversa. Poderia até ser sobre o referido assunto, não seria muito ético, mas seria legal. Mas não: ele foi falar sobre segurança e intervenção federal no estado do Rio de Janeiro. Aí “cagou” tudo. O pior é que um disse e o outro confirmou.

Mais uma vez a nossa Constituição a serviço dos bandidos. Diz ela que o cidadão somente será preso após esgotada todas as instâncias, que seria o STF. Agora, será que é assim para a escumalha, ou seria apenas para os que tem recursos suficientes para isto. Claro que esta é a alternativa correta, e não aquela. Mas os nossos Ministros da corte maior, são experts em interpretação e resolveram aceitar como jurisprudência que TODAS, é somete até a segunda. Pronto, está armada a confusão. O mais democrático seria que já na segunda instância fosse iniciado o cumprimento da pena já que o último recurso não alteraria a pena e sim teria como serventia somente algumas filigranas jurídicas. Mas como não é o que diz a lei, como fazer, já que até jurisprudenciada ela está?

Se eu tenho vontade que punam o Lula pelos crimes cometidos, multipliquem por 20 esta minha vontade e por 30 a pena a ser cumprida, para o atual presidente Temer, pelo crime humanitário, e não legal, pela assinatura do seu último indulto de natal. Agora, sendo uma prerrogativa única e exclusiva do mandatário maior do poder executivo, infelizmente, o Ministro Barroso, ao contestar, infringiu mais uma vez a lei em nome do STF. Pobre Brasil que para se fazer justiça, tem que se infringir a lei.

O que me causa estranheza é que justamente aqueles que são contra o grande capital, são os mesmos que defendem, por conveniência, não por convicção eu acho, que o condenado, enquanto tiver dinheiro para apelar por sua inocência, lhe seja dado este direito. Já o desvalido, que vá para a cadeira de imediato. 


Afonso Pires Faria, 14.03.3018


segunda-feira, 12 de março de 2018

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.



“Quantas belezas deixadas nos cantos da vida, que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar, e quantos sonhos se tornam esperanças perdidas, que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar”. Algumas pessoas não ouvem e não leem nada de jornalistas ou formadores de opinião que não sejam do seu viés político, religioso ou econômico, com isto deixam de aprender. Marco Antônio Vila por exemplo, não deixou de ser um bom historiador porque se virou contra o Bolsonaro. Dentre muitas asneiras ditas por Reinaldo Azevedo, eu aproveito um grande número de informações e posso ver algumas atitudes com quem eu simpatizo, com outros olhos. Rodrigo Constantino, diz poucas coisas com as quais eu não comungo, mas está sendo acusado por alguns de se inspirar no fabianismo e por isto não deve ser ouvido. Allan dos Santos tem uma intelectualidade da qual eu pouco consigo entender e as vezes chega a ser ofensivo com as pessoas que não tem a mesma sua cultura, inclusive eu. Mas deixar de ouvir ou ler pessoas que pensam diferente de nós é deixar morrer o conhecimento, sem nem mesmo tentar entende-los.

Quantas pessoas tu conheces que só pensem em dinheiro e em ficar rica, e que de fato ficaram? Certamente alguns atingiram o seu objetivo, mas a que custo? Quantas perdas foram deixadas pelo caminho para se atingir o seu objetivo final, e que tempo isto durou? Qual o percentual de sua vida foi dedicado a isto e qual foi o que ele aproveitou dos louros da vitória? Pois é, o mesmo deve valer para outros objetivos de conquistas de nossas vidas. A felicidade é um bom exemplo de uma delas.

De todas as fanfarronices de Lula a que mais parece provável é de que ele vai “cair atirando”, ou seja, vai entregar todo mundo e vai falar tudo o que sabe. Mas são dois os problemas neste cálculo feito pelo condenado; o primeiro é que ele pode com isto estar fazendo o jogo do tudo ou nada, pois se deixarem-no solto, as autoridades estarão confirmando que tem o “rabo preso”, e se não tem o prenderão para provar isto. O outro problema chega a ser um paradoxo, se é que ele dizia que não sabia de nada que ocorria em sua volta, como agora poderia dizer que sabia de tudo? A entrega de todo o “serviço” só teria como justificativa uma vendeta, já que de nada aliviaria a sua pena pois ele não estaria entregando, segundo normas da delação premiada, ninguém acima dele. É o ônus que se paga por ter tido tanto poder na mão. Pior. Usou de forma desmedida e criminosa.
Afonso Pires Faria, 12.03.2018.